quarta-feira, 4 de maio de 2011

Estudo bíblico nas comunidades
Caros amigos!
Após o término da Quaresma e do Tríduo Pascal, onde refletimos sobre o tema da Campanha da Fraternidade, agora é hora voltarmos para o estudo bíblico mais específico.
Usando da mesma organização, isto é, grupos que se reuniram nas casas, no salão das comunidades, etc., para refletir sobre o tema da Campanha, são convidados a continuarem se reunindo para aprofundar sua reflexão sobre a Palavra na vida de cada um e da comunidade, é a Bíblia que ilumina a vida.
Destes grupos, devem sair lideranças para organizar na paróquia uma coordenação paroquial que articule estes encontros de reflexão. Contudo, contuamos com os encontros bimestrais de acordo com cronograma diocesano da pastoral bíblica.
Oferecemos o material, como subsídio, para que facilite a realização destes grupos de estudo bíblico nas comunidades, que é o material postado neste blog (lado direito), com o título: A Bíblia Ilumina a Vida.
Vamos nos unir em prol do grande objetivo que é levar a Palvra à todos, criando uma grande teia evangelizadora, onde a Bíblia se faça presente nas mãos no máximo possível de irmãos e irmãs.
Um abraço carinhoso!

Luiz Francisco da Silva
Pastoral Bíblica

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A Bíblia na mão, no coração e vida da gente

                                        “ que fizestes com a minha Palavra?” (Bernanos).

Muito nos ajudou o acontecimento da 5ª.Conferência em Aparecida, a grande reunião dos Bispos da América Latina,  o Ano Paulino, conhecendo o discípulo, o apóstolo e missionário, o Ano Catequético, indicando o caminho do discipulado, e  América Latina, o Brasil a Diocese de Registro na missão Continental. – Mas nada disso irá caminhar sem o conhecimento da Palavra de Deus.
Chegou a “hora da Bíblia”, com esperança de promover a primavera da Igreja. O que precisamos é de atração, fascinação e gosto pela Palavra de Deus. As duas  asas que movem a conscientização, a mobilização e vivência da palavra de Deus são: a Espiritualidade Bíblica(revigora a pastoral e reforça o profetismo, o discipulado, a missão, o serviço da vida) e a animação bíblica de toda a pastoral( faz participar da liturgia da comunidade, suscita a fome de ouvir a palavra de Deus, ilumina cada acontecimento-fato que envolve a vida, anima cada iniciativa  da vida da comunidade, nos dá coragem nas pastorais sociais). Precisamos de um mutirão bíblico, para ter o livro da Palavra, para ler, estudar, rezar, refletir, viver e celebrar a Palavra.
É urgente a necessidade de conhecer a palavra de Deus e alargar o encontro com a Sagrada  Escritura, assim a palavra de Deus será  conhecida, servida, amada. aprofundada e vivida na comunidade.. É preciso reconhecer que o maior dever da Igreja é passar a Palavra  a todos. No livro do Apocalipse 10,9, mostra  como a Bíblia é o livro da vida “Toma-o e come-o”.
A leitura orante da Bíblia é a porta do santuário bíblico. Ela desperta o gosto e amor pela Palavra, abre a mente para o estudo bíblico e facilita  a vivência cotidiana da Palavra. Ela deve ser ensinada  nas casas nos pequenos grupos, retiros e reuniões, encontros de pastorais, comunidades e celebrações. Ela (leitura)  deve ser diária, rezar com a Bíblia na mão, estudar  as Escrituras, formar grupos bíblicos, ter ministros da celebração da Palavra bem preparados, e transformar o “catolicismo devocional e sacramentalizador” em “catolicismo bíblico”.
A  Palavra é pão: toma-o e come-o”Ap10,9; a palavra é  ouro, prata, tesouro, lâmpada(Sl 118); a palavra é como chuva(Is 55,1l); a palavra é como espada(hb4,12), como leite (1 Cor 3,2)como carta (II Cor 3,3), como semente(mc.4,14).
“Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna e nós cremos” Jo 6,68.
                                                                             
                                                                      D. José Luiz Bertanha
                                                                                            bispo diocesano de Registro


quarta-feira, 13 de abril de 2011

A festa de Pesah


               É difícil estabelecer com exatidão o sentido originário da festa da Páscoa (Pesah). Entretanto, para uma grande parte dos estudiosos, Ela tem origem numa tradição pastoril muito antiga. Entre outras explicações, uma delas é que a festa surgiu entre os pastores nômades semitas: “havia uma época em que as cabras e ovelhas paravam de procriar. Para eles era porque um espírito mau, um demônio andava em volta do acampamento, assustando os animais, o que impedia as fêmeas de terem suas crias”. Era necessário realizar um rito afim espantar esse “demônio”: eles matavam um animal e, com o sangue, aspergiam os pastos para que as ovelhas voltassem novamente a procriar. Uma outra explicação entre os pastores semi nômades, é a de que havia em seus acampamentos um espírito (demônio) que os protegia,porém, era muito afeiçoado ao local. E quando havia necessidade de mudança para outros locais, em busca de novas pastagens, este espírito procura impedir, realizando muitos malefícios entre os animais e as famílias. Era necessário aspergir o acampamento e as estacas das tendas com o sangue de um dos animais, prendendo ali o espírito para sempre. Assim os pastores poderiam seguir viagem com tranqüilidade.
Este processo migratório se dava provavelmente no início da primavera (Março/Abril), quando terminava o período das chuvas. E era também a época em que os agricultores iniciavam a colheita; assim os pastores  podiam contar com as sobras da palha para alimentar de forma adequada os rebanhos.
              Por esta ocasião celebrava-se o Rito Pascal. Matava-se um cordeiro e a carne era consumida na mesma noite. Não podia ser qualquer animal, tinha que ser um macho, sem defeito e de um ano de idade.
A Festa da Páscoa evoluiu mais tarde em Israel. Com os acontecimentos do Êxodo, Ela foi provavelmente reelaborada e adquiriu um novo significado histórico e religioso. Conforme Êxodo, capítulo 12, a Páscoa foi instituída como Festa de Libertação, por ocasião da saída do povo judeu da escravidão do Egito. Ela é vista como o momento da passagem do anjo de Deus, poupando as casas dos Israelitas marcadas com o sangue do cordeiro nos umbrais das portas. Este rito de celebração deveria ser feito “às pressas”, da seguinte forma: cada família deveria matar um cordeiro do rebanho e consumir a carne assada, com pão sem fermento e ervas amargas, preparando-se assim para a viagem da “liberdade”. Este momento tornou-se tradição sagrada para Israel. Seria celebrado por toda a posteridade, como marca fundamental de sua história libertária. – “...Eu vi a opressão e o clamor do meu povo no Egito....conheço seu sofrimento, e desci para libertá-lo...” (Êx.3,7-8).
              Os cristãos celebram a Páscoa como continuidade dessa história de libertação, porém, com um sentido novo. Jesus Cristo, ao vir ao mundo, assumiu as causas de toda a humanidade. Ele celebrou a Páscoa  com seus discípulos (Mt. 26,17-29; Mc. 14,12-25; Lc.22,7-20). Ele transforma este rito; não mais celebra com sangue, carne de cordeiro ou ervas amargas. Ele mesmo se coloca como o “Cordeiro Pascal” e derrama seu sangue pela libertação de toda a humanidade. Mandado pelo Pai, Jesus foi designado para celebrar a Páscoa Definitiva; entregou sua vida para que todos tivessem vida em liberdade. Ninguém deve ser escravizado, em Jesus somos livres. Sua morte e Ressurreição são o sublime ato de amor de Deus por todos os filhos e filhas. Ao ressuscitar triunfante Jesus venceu para sempre todo o tipo de morte que escraviza e destrói vidas.
             Nós cristãos somos assim, celebramos a Páscoa cremos ser a vida o maior dom, o sublime presente concedido por Deus a todas as criaturas.
            Celebre a Páscoa, faça dela uma Festa. Porém, festa da vida. Preserve a sua e a vida de todos. Cuide delas com carinho. Toda a criação precisa de respeito. Só assim sua Páscoa será cristã.
Feliz Páscoa!
                                                                                                                          Pe. Brasílio
                                                                                                                         Paróquia São João Batista
                                                                                                                           Assessor de Bíblia
                                                                                                                                                         

sexta-feira, 18 de março de 2011

Transfiguração: celebração antecipada da vitória sobre a cruz 

                                                                       Ildo Bohn Gass

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Segundo os evangelistas, a cena da transfiguração está em meio aos anúncios da paixão. A intenção é mostrar como a cruz faz parte da vida de quem assume o projeto do Pai até as últimas consequências. A fidelidade a Deus e ao resgate da vida dos pobres contraria interesses religiosos, econômicos e políticos. Nesse sentido, a perseguição pelos poderes que governam este mundo é inevitável na vida de quem assume a causa do Reino e de sua justiça.
Este relato é uma leitura pós-pascal e pretende narrar antecipadamente a vitória de Jesus sobre a morte na cruz, apresentando-o como o messias glorioso. É o que indica sua roupa branca como a luz (Mt 17,2). A ressurreição, a vitória sobre os poderosos, é a vida em toda a sua plenitude que vence os poderes de morte deste mundo.
Elias é o representante da profecia. Moisés faz lembrar não somente o êxodo, mas também todo Pentateuco, toda lei, que a tradição judaica atribuía a ele. Por um lado, a lei e os profetas, isto é as Escrituras todas, se cumprem em Jesus. Ou seja, o Nazareno dá continuidade à primeira aliança, levando-a à sua plenitude. Por outro lado, a comunidade de Mateus apresenta Jesus como um profeta que, tal como os profetas Elias (1Rs 17,1) e Moisés (Dt 18,15), veio anunciar um novo êxodo de liberdade para seu povo. O fato de Jesus subir, acompanhado por Pedro, Tiago e João, no alto de uma montanha (Mt 17,1), confirma esta perspectiva, pois é uma referência ao monte Sinai, no qual Deus deu a conhecer ao povo o seu projeto de vida e de liberdade, que Moisés registrou no decálogo (Ex 20,2-17). A tradição identificou a montanha da transfiguração com o monte Tabor. E Jesus é apresentado ao mundo como o novo Moisés que vem para resgatar a essência da lei, isto é, o amor que liberta e promove a vida de todos igualmente.
Ao propor ficar na montanha e construir três tendas (Mt 17,4), Pedro revela sua dureza de coração. Fazia pouco tempo que Jesus já lhe tinha chamado a atenção para sua cegueira, acusando-o de cumprir a função de Satanás como pedra de tropeço no projeto de Deus (Mt 16,22-23). Mesmo assim, Pedro ainda não compreendera que a construção da justiça do Reino não permite privilégios, nem acomodação. Ser discípulo não é somente participar da glória de Jesus, mas é também carregar a sua cruz, gerando e defendendo a vida.
A nuvem (Mt 17,5) é um dos símbolos privilegiados na Bíblia para falar da presença de Deus (Ex 13,21; 16,10; 34,5; Nm 12,5). E, tal como em Lucas o anjo dissera a Maria "o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra" (Lc 1,35), agora desceu uma nuvem sobre a montanha, "cobrindo-os com a sua sombra". É o Pai confirmando a missão do Filho. Da nuvem saiu uma voz que disse: "Este é meu filho amado, em quem me comprazo, ouvi-o", da mesma forma como já havia anunciado por ocasião do batismo (Mt 3,17). Jesus é o Emanuel, presença libertadora de Deus entre nós (Mt 1,23).
Não é possível acomodar-se no alto da montanha. Ouvir a sua voz desinstala e leva a descer para junto do povo sofrido e tornar o Reino de Deus presente, sem ufanismo ou triunfalismo (Mt 17,9). Mas ciente de que o seguimento humilde da prática libertadora de  Jesus significa estar disposto a também sofrer as consequências da cruz.
Ildo Bohn Gass é bliblista, leigo católico

segunda-feira, 14 de março de 2011

Dom José Alberto Moura, CSS
Arcebispo de Montes Claros-MG

O cuidado com a vida nos remete ao projeto de Deus, sua fonte. Ele é o grande solidário com a causa de nossa realização humana. Não foi à toa que resolveu nos ensinar, de modo humano, a valorizar e descobrir o divino em nós e sua ação humana no trato com todo tipo de vida. A Quaresma é uma oportunidade de grande graça para revermos nossa caminhada existencial à luz do Filho. Ele nos leva ao endereçamento da caminhada terrestre de sentido. É verdadeira vocação para construirmos todo o processo de comunhão com Ele, entre nós e a natureza.
Fazemos penitência, oração, escutamos, seguimos e ensinamos a Palavra de Deus, somos caridosos, promovemos a justiça, reconhecemos e pedimos perdão dos erros e pecados. Tudo é realizado justamente para nos prepararmos mais intensamente para a realização da Páscoa em nós, com a vida nova indicada por Cristo ressuscitado. Não é tempo de tristeza e sim de ponderação e revisão da caminhada. Assim nos  imbuimos da alegria de experimentar dentro de nós e na convivência fraterna, a certeza de que nosso esforço para a realização do projeto de Deus vale a pena. Superamos o medo, as tentações, a fixação na prisão do egoísmo e do materialismo. Somos capazes de olhar para a finalidade da vida com os critérios de Cristo.
Neste tempo privilegiado de conversão somos ajudados pela Campanha da Fraternidade. Ela nos ajuda à prática da fé comprometida com o planeta terra, que Deus nos deu para cuidarmos. O tema “Fraternidade e a Vida no Planeta” nos apresenta o desafio de cuidarmos de nossa casa comum. Desleixá-la, agredi-la e  arruiná-la é nossa derrota. Fazê-la habitável com respeito é benefício para todos; é prolongarmos nossa vida e sermos gratos ao Criador. Somente mereceremos a vida eterna feliz se vivermos realmente como imagens e semelhanças de Deus. Assim como Ele cuida de tudo, também faremos nossa parte cuidando da terra. O lema “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22) mostra a realidade sofrida da natureza agredida de modo irresponsável pelo ser humano. Precisamos reverter isso. As intempéries da natureza estão nos mostrando nossa agressão à mesma. Precisamos criar uma consciência ecológica de respeito à natureza como dom de Deus. É verdade que a mãe terra nos alimenta. Alguns são gananciosos e exploram a mãe, em detrimento de grandes parcelas que morrem a míngua. O uso da terra e tudo o que ela contém deve ser regulado pela consciência do amor de todos por ela. Sem o amor a Deus nos tornamos altamente egoístas e desrespeitosos para com a natureza.
As cartilhas ou livrinhos da Campanha da Fraternidade, espalhados por todo o Brasil, ajudam-nos a realizá-la com mais proveito, preparando-nos espiritual e comunitariamente para a celebração da Páscoa. Damos  o sentido adequado para termos e levarmos a vida nova para todos. A mudança de mentalidade, advinda com a ressurreição de Jesus, nos impulsiona a tratarmos nosso planeta com dedicação e verdadeiro amor. Superamos o pecado, que é uma agressão moral a Deus, ao semelhante e à natureza. Com Cristo superamos todo tipo de tentação e  pecado (Cf. Mateus 4,1-11). Vivemos na alegria do amor. Obedecemos ao Senhor e executamos melhor seu projeto. Ele nos mandou dominar à sua semelhança, ou seja, cuidar da terra.


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